6 X 8: o olhar de cada um
De: Ivy Judensnaider
((Para ver a versão original no site da arScientia , clique aqui)
“É possível afirmar que a pintura no contexto da arte contemporânea perdeu seu caráter geracional? Que pintores em processo e jovens iniciantes possam ocupar o mesmo campo de especulação estético-filosófica? Que se relacionam com a tradição da arte sem os limites que definem a especificidade de cada geração?”
- Osmar Pinheiro (curador)
Grupo 6 X 8
- Osmar Pinheiro (curador)
Grupo 6 X 8
Mirian de los Angeles | "Oito Pontas"
2 x 2m (Políptico) | Acrílica sobre tela
2 x 2m (Políptico) | Acrílica sobre tela
Na selva confusa do mundo contemporâneo, caótico e instável, algumas vezes simplesmente nos detemos diante de alguma imagem: ela nos inspira, emociona, traz recordações. Por inquietude ou por sensação de aconchego, interrompemos nosso caminho louco e sonhamos. Senti-me assim ao me deparar com o trabalho de Mirian de los Angeles. As formas geométricas, as cores alegres, a vontade de viver que transpira das inusitadas combinações de tons e traços, tudo isso nos arrasta como turbilhão. Oceano de vontade, disposição e energia, este trabalho nos carrega ora para longe, ora para muito perto. Uma de suas obras, “Oito Pontas”, está na coletiva 6 X 8, que será exposta de 14 a 26 de setembro de 2005, na Galeria Estação, em São Paulo.
arScientia: Por que 6 X 8?
Mirian de los Angeles: São seis obras figurativas, e oito abstratas. A minha está entre essas oito abstratas. Somos um grupo que temos um comum um espaço de convivência. Como diz o curador da exposição, Osmar Pinheiro, não existe uma fórmula que explique a arte contemporânea. Neste grupo, reunimos artistas de culturas diferentes, bagagens sociais diferentes, de idades que variam entre 18 a 72 anos.
arScientia: Como você descreveria tua obra?
Mirian de los Angeles: Eu penso através de imagens e trabalho a partir de cores com bases geométricas. Meu mundo é repleto de triângulos, quadriláteros. É caótico, mas consigo ver ordem. Não tenho uma formação teórica, tenho formação em Desenho Industrial. Pintar é algo que faz parte de mim. Sinto prazer. Não se trata também de inspiração “divina”, por que pintar envolve um trabalho duro. Primeiro, monto o desenho num papel quadriculado, fazendo experiências, tentando combinações e formas. Depois, estudo as cores em papel vegetal. Depois, tenho que fazer máscaras com fita crepe, para demarcar os espaços de cores. O meu trabalho é muito racional.
arScientia: Você procura referências e informações?
Mirian de los Angeles: Sempre. Outro dia, pesquisando Antonio Maluf, descobri semelhanças geométricas nos nossos estudos. É importante essa busca de referência e diálogo.
arScientia: Quais outros pintores te inspiram e te servem de influência?
Mirian de los Angeles: Volpi. Ele tem uma obra alegre, com cores vivas. A forma de Van Gogh lidar com as cores é fantástica também. Um artista que me impressionou muito foi Gerard Richter. Ele trabalha o abstrato, mas simultaneamente ao figurativo. Ele é um artista que nunca cai na armadilha de sempre fazer a mesma coisa.
arScientia: Você trabalha com softwares de desenho?
Mirian de los Angeles: Eu me divirto muito desenhando no papel. Para mim, é uma coisa lúdica. No entanto, tenho vontade de fazer algumas experiências com softwares de desenho.
arScientia: Quais os próximos projetos?
Mirian de los Angeles: Em abril do próximo ano, estarei em Leon, na Espanha, em uma Galeria chamada Absenta Arte. Levarei quinze telas para lá.
arScientia: Em tempos de globalização, é possível falar em arte brasileira?
Mirian de los Angeles: Se eu fosse procurar algo de brasileiro no meu trabalho, diria que é a alegria. Não chamaria meu trabalho de étnico, mas reconheço o tom alegre das minhas telas, coisa que acho muito brasileira. Minhas telas são grandes, e quero que os quadros envolvam quem passa por eles.
Grupo 6 X 8
Abertura 13 de setembro de 2005, 19:30 hs.
Exposição de 14 a 26 de setembro de 2005 Segunda a sexta, das 11 hs. às 18 hs.
Sábado 17 de setembro, das 10hs. às 16 hs.
Galeria Estação
Estação São Paulo
Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros
- Ivy Judensnaider
É economista e mestra em História da Ciência e Tecnologia pela PUC/SP. Trabalha como professora universitária e é escritora.
Autora de Debora fala reservadamente com todos, lançado pela Editora Altana, SP, é colunista da revista eletrônica NovaE,
editora-chefe de arScientia e também publica regularmente em Blog da Ivy.
editora@arscientia.com.br - São Paulo - SP.
Autora de Debora fala reservadamente com todos, lançado pela Editora Altana, SP, é colunista da revista eletrônica NovaE,
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